É PRECISO IR AOS EXTREMOS DE SI,
PARA QUE POSSA EXPERIMENTAR-SE POR INTEIRO !


Débora Vasconcelos

sexta-feira, 21 de maio de 2010

MÚSICA: TODO AZUL DO MAR – Flávio Venturini


Compositor(es): Flávio Venturini / Ronaldo Bastos

Foi assim

Como ver o mar
A primeira vez
Que meus olhos
Se viram no seu olhar

Não tive a intenção
De me apaixonar
Mera distração e já era
Momento de se gostar

Quando eu dei por mim
Nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu
Dentro do seu olhar

Quando eu mergulhei
No azul do mar
Sabia que era amor
E vinha pra ficar
Daria pra pintar
Todo azul do céu
Dava pra encher o universo
Da vida que eu quis pra mim
Tudo que eu fiz
Foi me confessar
Escravo do seu amor
Livre pra amar
Quando eu mergulhei
Fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul
De todo azul do mar

Foi assim como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando mergulhei no azul do mar
Onda que vem azul, todo azul do mar

EU TÔ FALANDO DE VOCÊ


Nada lhe importa
Nem minhas costas descobertas
Nem meus cadernos cheios
Nada lhe importa
Algo novo que eu lhe trago
Ou um trago de aconchego
Nada tem valor pra você
Eu estou falando sua língua
O seu assunto preferido
Eu tô falando de você
E aquilo que você não vê
Nada tem sentido pra você
Dos meus discos
Dos meus desejos
Dos meus perigos
Do meu apego
Eu to falando de você
E daquilo que você não que ver
Encobre nos seus braços
Todo meu desespero
- Olha pra mim, não pra TV!
Você tem medo de me ser
Você tem medo de mudar seu jeito
Medo de entender
Se acostumou na confusão
Do seu coração perdido
E não vê que esta preste a me perder
Eu tô falando pra você
Mas nada lhe importa
Até você perder
Nada tem valor
Enxerga em mim o que você queria ser
Mas pouco lhe importa de mim
O importante é você, sempre você
Se eu preciso ir
Você só vai dar valor
Quando não puder me esquecer
Por enquanto nada importa pra você


Débora Vasconcelos

O VIDRO

O vidro embaçava e eu desenhava um coração, escrevia o meu nome dentro, junto com o vazio logo após o &
Pois não havia nomes que o preenchesse naquela época de criança, quando eu ainda gostava de coração
Hoje, se o vidro embaça, corro logo desesperada pra desembaçar, quero ver tudo bem claro
Há não ser que estejamos no carro
Aí sim pode embaçar que eu não embaço
Débora Vasconcelos

MÚSICA: ENCONTRO DAS ÁGUAS – Jorge Vercillo

Compositor: Jorge Vercillo

Sem querer te perdi tentando te encontrar

por te amar demais sofri, amor
me senti traído e traidor

Fui cruel sem saber que entre o bem e o mal
Deus criou um laço forte, um nó
e quem viverá um lado só?
A paixão veio assim afluente sem fim
rio que não deságua
Aprendi com a dor nada mais é o amor
que o encontro das águas

Esse amor
hoje vai pra nunca mais voltar
como faz o velho pescador
quando sabe que é a vez do mar
Qual de nós
foi buscar o que já viu partir,
quis gritar, mas segurou a voz,
quis chorar, mas conseguiu sorrir

Quem eu sou?
Pra querer
Entender
O amor

CANETA ALADA - 18/05/10

me mandou esse selinho para lembrar que nossas canetas sempre terão assas e mãos com criatividade pra deixá-las voarem...
Muito obrigada flor....linda imagem!
Tô gostando desse negócio de selinho!!!

Débora Vasconcelos

terça-feira, 18 de maio de 2010

FLORES VIRTUAIS - 17/05/10


Nem sei se mereço, mas carinhosamente ganhei do Fernando do blog: http://aofinaldoinverno.blogspot.com
o selinho em forma de buquê de flores...com uma perguntinha:


O que é mágico pra você?


Mágico é poder ter pessoas que me dão presentes tão significativos como este selinho, como elogios, abraços, carinhos, olho no olho, poder compartilhar meus escritos e ter criatividade jorrando pra continuar escrevendo, ter amigos e amores, ser feliz com o que sou e quem pretendo ser e com o que fui também. Mágico é dormir em paz!

(Lógico que só consigo isso depois que eu arrumo esses cadernos todos da minha cama...kkk)




Débora Vasconcelos

quarta-feira, 12 de maio de 2010

QUERO QUE MEU NETO SAIBA DISSO (CARTA AO MEU NETO) – 11/05/10

Eu tive coragem de viver meu grande amor
Do início e sempre
Vivê-lo, relembrá-lo, tentando buscar na memória o mais efêmero detalhe, os diálogos e gestos
Nunca tive medo de tê-lo comigo
Presente em lembranças, em sonhos e nos poucos objetos
É preciso coragem pra amar
E ter certeza do que sente
Se dar sem esperar
E receber o que há de mais belo
Sim, eu vivi vários amores
Mas eu tive coragem de viver meu grande amor
Do início e sempre

Débora Vasconcelos

EU ESCREVO O MEU DESTINO - 11/05/10

A escrita pra mim é um desgaste bom
Cansa, mas alivia
Ao final de uma página rabiscada
Com letras que gozam de dores e alegrias
A escrita pra mim é companheira, é amiga
Quando as de carne e osso não estão por perto
Eu escrevo o meu destino
Mesmo que o destino já vivido
Mesmo assim...
...Eu escrevo meu destino!

Débora Vasconcelos

terça-feira, 11 de maio de 2010

MÚSICA: OLHOS VERMELHOS – Capital Inicial

Compositor(es): Dinho Ouro Preto / Alvin L

Os velhos olhos vermelhos voltaram

Dessa vez
Com o mundo nas costas
E a cidade nos pés

Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr
Se nunca me vejo de frente
Parei de pensar e comecei a sentir

Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram
De vez

Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder

Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar
Se amanhã tudo muda de novo?
Parei de pensar e comecei a sentir

Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez

segunda-feira, 10 de maio de 2010

VERDADE – 08/05/10

Tem que se ter muito amor
Pra se compartilhar a verdade
Pra se mostrar nu e cru
Diante da realidade
Pra estar presente no que é bom e ruim

Tem que haver muito amor
Pra estar junto em momentos de confusão
Pra dar as mãos
Quando o outro vai cair

Tem que existir muito amor
Pra saber entender as razões que não lhe pertencem
A começar, em apenas ouvir

Tem que estar encharcado de amor
Pra enfrentar qualquer dor que possa vir
E pra ficar feliz com as conquistas da outra parte
Mesmo quando há nuvens do seu lado

Tem que alimentar muito esse amor
Pra que o respeito seja mutuo
Pra que a admiração não suma dos olhos
Pra que se importe com coisas que você não tem o menor significado

Tem que haver o Verdadeiro Amor
Pra se compartilhar as verdades
Débora Vasconcelos

MEU A – 08/05/10

Meu Amante
Meu Amor
Meu Amigo

Minha Asa
Meu Anjo
Meu Abrigo

Minha Alma
Meu A’Uwe
Meu Alívio

Minha Ânsia
Meu Anseio
Meu Abrasivo

Meu Anfitrião
Meu Abraço
Minha Animação

Meu Ancestral
Minha Analogia
Minha Afeição

Minha Árvore
Minha Âncora
Meu Ângulo

Meu Apoio
Meu Amparo
Meu Âmago

Meu Acordar
Meu Alvorecer
Meu Apegar

Meu Andar
Meu Anoitecer
Meu Amar

Enfim meu A


Débora Vasconcelos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ÁGUIA DO DESERTO

Ela sobe nas pontas das pirâmides
E vê o deserto brilhante a lhe convidar


Ela conhece as sombras e os animais rastejantes
Dos quais pode se alimentar


Ela é ave de rapina
Traiçoeira, mas menina, que também gosta de voar por voar


Ela vê de longe a paisagem mudar
Com suas dunas esvoaçantes, com o vento a bailar


Mesmo assim não se perde
Sabe onde a água esta


Ela olha tudo de cima
E sabe bem quando se arriscar


Débora Vasconcelos

quinta-feira, 6 de maio de 2010

2000 VISITAS - 06/05/10


Escrevi durante quase um ano neste blog sem divulgá-lo, e hoje falo dele para alguns amigos e em oficinas literárias em que participo. Me surpreende que tenha alcançado 2000 visitas poucos meses depois de ter tido 1000 visitas. Isso é algo que me alegra muito. Espero continuar plantando girassóis nos corações dos meus leitores. Muito obrigada de corpo, alma e coração a todos que acompanham meu trabalho.
Beijos carinhosos.
Débora Vasconcelos

MÚSICA: Stuck in a Moment You Can't Get Out Of – U2

Composição: Composição: Bono Vox / The Edge

I'm not afraid of anything in this world

There's nothing you can throw at me that
I haven't already heard
I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company

I never thought you were a fool
But darling look at you (ohhh)
You've got stand up straight carry your own weight
This tears are going nowhere baby

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and now you can't get out of it
Don't say that later will be better now you're stuck in a moment and you can't get out of it

I will not forsake, the colours that you bring
But the nights you filled with fireworks
They left you with nothing
I am still enchanted by the light you've brought to me
I listen through your ears, and through your eyes I can see

And you are such a fool
To worry like you do (ohhh)
I know it's tough, and you can never get enough
Of what you don't really need now... my oh my

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Oh love look at you now
You've got yourself stuck in a moment and you can't get out of it

I was unconscious, half asleep
The water is warm till you discover how deep...
I wasn't jumping... for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all

You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment and you can't get out of it
Don't say that later will be better now
You're stuck in a moment and you can't get out of it

And if the night runs over
And if the day won't last
And if our way should falter
Along the stony pass

And if the night runs over
And if the day won't last
And if your way should falter
Along the stony passIt's just a moment
This time will pass

Música: Stuck in a Moment You Can't Get Out Of (tradução) – U2
Composição: Composição: Bono Vox / The Edge


Eu não tenho medo de nada neste mundo,

Não há nada que você possa jogar na minha cara
Que eu já não tenha ouvido...
Estou apenas tentando encontrar uma melodia decente,
Uma canção que eu possa cantar em minha própria companhia...

Eu nunca pensei que você fosse uma boba,
Mas, querida, olhe prá você...
Você tem de ficar em pé, ereta, carregar seu próprio peso,
Estas lágrimas não vão a lugar algum, baby...

Você tem que se recompor,
Você ficou presa a um momento e
Agora não consegue sair dele.

Não diga que mais tarde ficará melhor,
Agora você está presa a um momento e
Não consegue sair dele...

Eu não renunciarei às cores que você traz,
As noites que você preenchia com fogos de artifício,
Elas te abandonaram sem nada.
Eu ainda estou enfeitiçado pela luz que você me trouxe,
Eu ouço através dos seus ouvidos
E através dos seus olhos eu posso ver...

E você é uma tola assim ao se atormentar como faz,
Eu sei que é duro, e você nunca consegue o bastante
Daquilo que você realmente não precisa nesse momento...
Ai, oh, ai!

Você tem que se recompor,
Você ficou presa a um momento e não consegue sair dele.
Oh, amor, olhe prá você agora:
Você está presa a um momento enão consegue sair dele...

Eu estava inconsciente, meio adormecido,
A água é tépida até que você descobre o quanto é profunda.
Eu não estava pulando... para mim, foi uma queda,
É um longo caminho pra baixo, até o nada mesmo...

Você tem que se recompor,
Você ficou presa a um momento enão consegue sair dele.
Não diga que mais tarde ficará melhor,
Agora você está presa a um momento e
Não consegue sair dele...

E se a noite se exceder
E se o dia não durar,
E se nosso caminho titubear
Ao longo da passagem pedregosa...

E se a noite se exceder,
E se o dia não durar,
E se o teu caminho titubear
Ao longo desta passagem pedregosa,

É apenas um momento,
Este tempo passará...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ENQUANTO ELE NÃO CHEGA – 05/05/10

Enquanto ele não chega, aproveito pra andar descalça
Porque ele com o seu jeito meio estranho cuida de mim pra não ficar gripada
Enquanto ele não chega, aproveito pra ouvir músicas que ele não conhece e não tem vontade de conhecer
Enquanto ele não chega, eu me inspiro e me ponho a escrever
Enquanto ele não chega, me deito e descanso um pouco dos nossos risos
Enquanto ele não chega, olho meu caleidoscópio novo que ele acha ser bobagem
Enquanto ele não chega, eu viajo entre músicas, escritas e imagens
Enquanto ele não chega, o silêncio dentro do peito faz eu dele sentir saudade
Débora Vasconcelos

terça-feira, 4 de maio de 2010

AMIGAS PERUAS – 04/05/10

AMIGAS PERUAS – 04/05/10

Elas levaram muito de mim em seus olhos que ficaram
Eu fui levando um monte delas em minha mala
Eu as busquei em dias chuvosos
Eu as busquei em noites de estrelas
Eu compartilhei com elas passos
Passos de uma vida inteira

Elas são irmãs que o sangue não me trouxe
Mais que a vida nunca me levará
Por mais que eu esteja longe
Delas meu coração não se esquecerá
Elas são amigas pra mim
Amigas que sempre existiram
Amigas até o fim

Mesmo quando estou errada e me machuco
Mesmo quando estou certa e subo
Mesmo quando uma delas se cala
Enquanto a outra ri
Mesmo quando uma fala
Enquanto a outra só balança a cabeça e olha pra mim

Amigas conquistadas,
Com o meu jeito doido de ser
Amigas incorporadas,
Nas paredes do meu ser

Amigas, obrigada por existirem
Por escutarem todas minhas lamurias
Obrigada por me incentivarem
Em todas minhas loucuras
Obrigada por não apontarem os dedos em minha cara
Dizendo: - Isso é culpa sua!

Obrigada por me amarem
Assim como eu amo nossas aventuras
Mas eu tenho o direito de dizer:
- Amigas, a culpa são suas
De tanto eu as amarem
Mesmo sabendo que só tenho amigas peruas....kkkkk

AMO VOCÊS!!!

Débora Vasconcelos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MENINA MULHER – 30/04/10

Carrego uma estrela em meu anel
Amores em meu coração
Um dom em minha caneta
Uma caneta em minhas mãos

Carrego luz em meu olhar
E curiosidade leve de criança
Não tenho medo de amar
Sou cheinha de esperança

De que a vida vai melhorar
Com meu esforço de cada dia
Com a oração no meu peito
E com a luz de Deus que me guia

Carrego muitas vidas na mente
Já me livrei de várias serpentes
Assim como também já fui uma delas
Agora sou feita de paz
Mas ainda mordo a maçã mais bela

Meu travesseiro é fofo
E ele sabe todos meus sonhos
Minha cama é o meu conforto
Eu tenho braços em que me acolho

Nem todos dias são de sol
Mas nem sempre a chuva atrapalha
Carrego a luz do luar
Nas noites iluminadas

Carrego tranças em meus cabelos
E na nuca algo a se decifrar
Só mesmo eu sei o significado
Do meu modo de amar

Sou feliz de mais da conta
Sou menina, sou mulher
Carrego alegria em meu peito
Faço feliz quem me quer


Débora Vasconcelos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

MÚSICA: NÃO ENCHE - 29/04/10

Composição: Caetano Veloso

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender...

Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...

Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá...

Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar...

Eu vou
Clarificar
A minha voz
Gritando
Nada, mais de nós!
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você...

Harpia! Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua! Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua! se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar...

Vagaba! Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada! Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À-toa! Vadia!
Começa uma outra história
Aqui na luz deste dia "D"
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou vou viver mil
Eu vou viver sem você...(2x)

Eu vou viver sem você
Na luz desse dia "D"
Eu vou viver sem você...

A RAZÃO DE EU CONTINUAR A PUBLICAR

Graças a Deus eu recebo alguns e-mails como esse e também comentários maravilhos de diversas pessoas. Mas esse recebi de um grande amigo ilustrador da imagem do blog lá de cima, Tiago Costa http://www.tiagocostailustra.blogspot.com/

Obrigada Ti e obrigada a todos pelo apoio!
Débora Vasconcelos

quarta-feira, 28 de abril de 2010

PARA DURAR – 24/04/10

Ela caminha pela chuva com passos firmes e cabeça erguida, como se nada pudesse lhe atingir
Ou como se os pingos lhe dessem força pra seguir
Ela tem um olhar fixo no horizonte e sabe bem o que quer
As pessoas a olham com curiosidade
Ela tem personalidade e sabe superar
Algo a faz andar além daquele asfalto sujo
Seus passos vão além do que podemos enxergar
Ela é segura do seu passado e não tem medo do futuro
Não tem medo de se entregar
E nessa vida não encontrou muros, que ela não pudesse de alguma forma ultrapassar
Tem raça e garra pra enfrentar o mundo, como se soubesse que poucas coisas são feitas para durar
Então ela caminha pela chuva com passos firmes, como se nada pudesse lhe atingir

Débora Vasconcelos

CORAÇÕES MORIBUNDOS – 24/04/10

Nem tudo que se vê é real
Às vezes são disfarces
Nem tudo que se imagina é sobrenatural
Às vezes nem a gente mesmo sabe
Tente primeiro entender
Sei quanto é difícil se colocar em outro lugar
Há muitos corações moribundos pra socorrer
E quase nada vão poder levar
Eu só quero ficar aqui agora
Tente não querer me carregar

A não ser que seja em seu juramento
Eu já não consigo mais continuar
Não importa quanto tempo ele passe em seu templo
O que importa é a fé que ele carrega pra qualquer lugar que vá
Se ele não me tira do seu pensamento
Eu não tenho culpa por me entregar
Por quanto tempo mais teremos que fingir
Que um dia iremos encontrar
Neste campo desmatado um lugar seguro
Para que possamos nos abrigar?
Sem mais brigar...só amar
Enquanto eles não querem ver
Nossos desejos vão se esconder
Até que estejam seguros pra se mostrarem
De uma vez por todas submergindo dos absurdos
Que juntos iremos superar



Débora Vasconcelos

GUARDA ROUPAS – 28/04/10

Eu não estou pronta pra vestir essa roupa
Meu guarda roupas ainda esta aberto
E as traças ainda estão vivas, comendo aquele casaco velho
Eu não estou pronta de verdade
E nem adiantaria tê-la agora
Se em meu guarda roupas não posso guardá-la, pois os cupins também não foram embora
Eu não posso mudar de guarda-roupas, tenho que recuperá-lo pra um dia poder ter roupas novas, pra nele poder colocá-lo
Mas nada adiantará ter arrumado o meu guarda roupas se eu colocar novamente uma roupa infestada, cheia de pulgas, piolhos, traças. Preciso também recuperá-las
Descobri que roupas novas, também trazem defeitos
E por mais que pareça bonito um guarda roupas tão cheio
Só convém ao alheio, que nunca terá que organizá-lo
Débora Vasconcelos

SOLITUDE – 25/04/10

Prefiro o seu silêncio a me observar, quando não há mais nada pra ser dito diante de tudo que já foi feito
Prefiro saber que mesmo com acontecimentos tão grandiosos, sou eu, quem você nunca tirou do peito
Prefiro talvez me enganar contigo novamente, mas nunca ter dúvidas do meu próprio amor
Prefiro ter consciência que sempre serei uma mulher só. E que a minha solitude é o que me faz forte
Prefiro eu ter certeza, enquanto os outros duvidam
Prefiro eu duvidar, enquanto os outros acreditam
Não que eu só queira contrariar, mas prefiro não tentar tapar o sol com a peneira
Enquanto os outros fingem que isso é vida
Prefiro criar histórias novas, do que não me desprender das já vividas
Prefiro ser eu a razão da tua vida
Mesmo que mal resolvida
Intensamente vivida
Sem ter qualquer explicação


Débora Vasconcelos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

EU QUERO A BAGUNÇA - 22/04/10


Eu quero a bagunça
Bagunça da nossa cama quando a noite foi pequena de mais pra tanto amar
Quero a bagunça dos meus cabelos embaraçados pelo vento, quando você me leva pra ver o mar
Quero a bagunça na cozinha, quando você inventa de cozinhar
Quero a bagunça das suas roupas lá e cá
Quero a bagunça dos nossos corações a palpitar
Tão vivos e intensos quanto nosso próprio olhar
Quero a bagunça dos DVD´s e CD´s que já não são, nem seus e nem meus
Quero a bagunça na geladeira do meu leite e do seu
Quero a bagunça dos nossos sonhos meio que atropelados, meio que enviesados e ao mesmo tempo costurados lado a lado
Quero a bagunça de te bagunçar
Quero a bagunça do nosso amor

Quero a bagunça de um feriado
Rotina, pra gente não há


Débora Vasconcelos

MÚSICA: A LINHA E O LINHO - Gilberto Gil

Composição: Gilberto Gil

É a sua vida que eu quero bordar na minha

Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia

E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor

O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão
Sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor

Nossa colcha de cama,
Nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

segunda-feira, 19 de abril de 2010

EU TENHO FLORES - 19/04/10

Tenho flores no meu jardim
Tenho flores no meu cabelo
Tenho flores no coração
Tenho flores no corpo inteiro

Ganho flores todos os dias
Quando abro os olhos e a alegria vem no seu sorriso me visitar

Tenho flores fortes como árvores
A beleza delas de mim ninguém pode tirar
Tenho flores de amores
Tenho amores pra amar

Flores muito resistentes
Que ninguém fará murchar
Eu tenho flores e amores
Pra deles poder cuidar

Eu tenho flores....muuuitas flores

Débora Vasconcelos

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ROUPA SUJA – 16/04/10


Roupa suja
Tem gente que não tem em casa
E quer lavar a dos outros
Por ter muito tempo ocioso e nem da sua própria vida cuidar

Tem gente que sabe transformar em arte as manchas das roupas sujas
Tem gente que se mancha de propósito com o chocolate do amor a ponto de se lambuzar
Tem gente que só vê dor em tecidos estampados
Prefere a vida sem desenho, num tom acinzentado, pessoas com medo de amar

Roupa suja é o que falta no tanque dela, pra lavar e parar de ver o meu
Meu tanque é bagunçado mais é meu
Éh, ela inveja até as roupas sujas que eu tenho
Ela só se importa com o alheio
E as coisas que não lhe convém
Enquando eu sou elogiada todo dia
Pelos tecidos e ousadias do meu modo de vestir

Se está sujo, se esta lavado
Isso é problema meu
Dou conta do meu passado
Não vivo a vida de ninguém
Do meu tanque cuido eu


Débora Vasconcelos

NA ESCURIDÃO DO NOSSO AMAR – 11/04/10

Amar você é como andar no escuro, sempre correndo o risco de bater em algo que não sabia estar lá, passando pelo perigo de cair em algum buraco e se machucar
É ser dependente pra poder sentir
E mesmo sentindo é possível se enganar
As coisas não parecem às mesmas quando não se vê, tudo parece mudar de lugar
Amar você é mutilar meus próprios olhos, para as coisas que não quero enxergar
É no escuro que construímos nosso aconchego
Com sentimentos tão irreais, entre amor e desespero, nossos corpos se pertencem cada vez mais
Mas infelizmente você está cego também, não me vê
E eu já não posso te olhar, pois são inúmeros defeitos que iriam nos separar
Pra amar você tenho que quebrar os espelhos, não podendo nem me olhar
É estar cega por inteiro
É da visão abdicar
Pra sentir seu amor em meu peito
Na escuridão do nosso amar


Débora Vasconcelos

MÚSICA: TUDO BEM - Lulu Santos

Composição: Lulu Santos / Nelson Motta

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem, tudo bem

Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem

quinta-feira, 15 de abril de 2010

CALEIDOSCÓPIO – 14/04/10

Imagem retirada da Internet

De vez em quando fecho os olhos e vejo imagens de caleidoscópio
Isso me faz feliz e me deixa suave o dia
Tinha um quando criança e terei outro algum dia
As imagens coloridas me fazem viajar em um tempo feliz e de mudanças tão rápidas como as figuras a se transformarem em minha mente
Estrelas, flores, pirâmides, cores
Mudanças infinitas
Eu e meu caleidoscópio
A infância feliz em meus olhos
Cheia de possibilidades distintas

Débora Vasconcelos


segunda-feira, 12 de abril de 2010

DESFILADEIRO - 12/04/2010

O caminho de pedras parecia macio quando eu achava estar ao seu lado
Me arrisquei diversas vezes nas encostas dos desfiladeiros para segurar sua mão
E não sentia o perigo, apenas o meu próprio amor era suficiente pra me dar coragem
O que hoje se tornou motivo de medo, pois agora consigo enxergar o quanto me expus
E a tênue linha entre a realidade e a minha ilusão de que era algo bom, foi ultrapassada
Agora entendo que enquanto eu não percebia era bom, mesmo que ruim, era bom
Já não é mais!
Já não é mais tão surreal quanto era, não é mais entrega total como era, não é mais o que era pra mim
E o que nunca foi pra você, agora é
Difícil explicar essa relação de amor e ódio, de desejo e decepção
O caminho agora parece seguro, mais eu nunca mais sentirei o frisson do desfiladeiro, a segurança de confiar minha vida a você, nem em terras firmes eu posso reconhecer a certeza em seus olhos, pois ela já não existe nos meus
De tudo que sobrou olhando pra trás, o pouco que temos não parece suficiente para me sustentar
É estar num trampolim sem redes
Numa casa sem paredes, tentando transformá-la em lar
Eu já fui forte pra enfrentar o que viesse
Mas agora sou extremamente fraca e medrosa pra poder me aventurar tão próximo de um desfiladeiro, pra ouvir você dizer me amar

Débora Vasconcelos

quinta-feira, 1 de abril de 2010

COM O TEMPO – 31/03/10

Com o tempo você vai se esquecer da cor do meu edredom
Vai se esquecer da luz entrando pela janela e batendo em meu corpo enquanto eu ainda dormia
Com o tempo você vai se esquecer do formato das minhas unhas
Das minhas pintas, da minha voz
Com o tempo você vai se esquecer que tentou me amar e que nunca conseguiu me fazer sentir completamente amada
Com o tempo vai se esquecer o quanto os meus pés são frios e o quanto o meu corpo era quente depois que você o esquentava
Com o tempo você vai se esquecer das fotos já emboloradas
Vai esquecer das minhas roupas, da minha letra, do meu jeito de tomar água, da espessura dos meus cabelos e dos meus lábios grossos
Com o tempo esses detalhes vão sumir
Você só se lembrará de uma história mal contada, bem terminada e muito infeliz
Ficarão só as magoas, a dor, as mentiras e trapaças
Mas com o tempo isso também há de sumir
Até que brote, em vez de lágrimas e pernas tremulas, um singelo sorriso se a gente se cruzar
E a sensação de que poderíamos ter sido felizes na juventude


Débora Vasconcelos

quarta-feira, 31 de março de 2010

DESEJO E CORAGEM - 26/03/10

Ela tinha vontade de deixar o perfume na penteadeira aberto, a luz acesa e a porta sem trancar. Sair pra nunca mais voltar. Até que pudesse tomar as rédeas do seu destino, até que pudesse se orgulhar de seus feitos, vencer seus medos de não pensar tanto antes de fazer. Até que ela pudesse se entregar.
Como ela tinha vontade de abandonar aquele mundo.
Deixar as manchas na parede que tanto a incomodavam, pra que ela mesma se manchasse das cores da vida.
Beber de outros suores, sentir segurança em outros portos, se ver descabelada e completa, dona de si, de suas vontades, sem ter que pedir permissão pra ser quem realmente era, sem ter que se esconder.
Mas ela tinha um motivo pra ficar.
E envelhecer, sem provar desses sabores.
Pra depois se arrepender e ver que não valeu a pena adiar.
E que sua vida não passava de hipocrisia, como a de tantas outras que a rodeavam.

Despertar desejo...
...É mais fácil do que produzir coragem.
Esse ímpeto de arriscar é o que me falta pra realizar.
Invento desculpas que me impedem de continuar.
Me falta coragem de me lançar neste destino que me chama.
Fico adiando a certeza de que haverá mais ganhos, por medo de falhar.
E fico aqui apenas desejando.
Porque despertar desejo...
...É sempre mais fácil que produzir coragem

Débora Vasconcelos

sexta-feira, 26 de março de 2010

FURTA COR

No palco são mais que luzes e sons
Mais que instrumentos e cenários
No palco há uma alma multicolor que encanta e baila em esplendor
Eu vi com olhos arregalados
Eu senti de olhos fechados
Eu estava ali naquele show
No palco passaram cenas, danças, movimentos
Dentro de mim energia e um certo alento, de poder estar ali
Eu vi!
Presenciei a arte que se expandia além do palco, da música e da poesia
A arte que pousou em mim
E como micro partículas se espalhou em tons de fantasia furta cor, na mais linda melodia de amor, na potencia da voz que se demonstrou
Em coisas tão simples assim
Eu estava ali naquele show
Sentindo isso dentro de mim
Eu vi com olhos arregalados
Eu senti de olhos fechado
Eu me renovei
Eu renasci


Débora Vasconcelos

LENTAMENTE

Te deixarei ir como uma folha que cai da árvore em um rio
De forma real e singela
Não quero sentir sua falta
E nem achar que te perdi
Quero te ver partir lentamente enquanto o rio segue seu rumo


Débora Vasconcelos

terça-feira, 23 de março de 2010

TRIÂNGULO AMOROSO – 06/01/10


Esqueci uma caneta na cama
E ela me acordou de madrugada
Cutucando minhas costas
E me chamando pra escrever
Já passava da hora de esquecer
Já passava da hora de escrever sobre aquele assunto
Só assim pra eu transferir as sensações
Do que há dias não me fazia dormir direito
Aquietá-las num papel
Só por precaução queimá-las
E deixá-las morrer
A caneta me acordou na hora certa
Eu já quase não agüentava
Viver daquele jeito a remoer
A caneta e o papel são os melhores parceiros de cama
Um triângulo amoroso que não reclama
E um completa o outro
Nesse eterno amadurecer
Com eles posso escreve e desabafar
Eternizar, queimar e esquecer
Com eles eu sei como me satisfazer
Mesmo que eu seja acordada de madrugada
Pois não existe hora certa pra escrever
E com amor é sempre mais gostoso
Nesse triângulo amoroso
Amor não nos faz morrer


Débora Vasconcelos

MÚSICA: SANGUE LATINO – Ney Matogrosso

Composição: João Ricardo / Paulinho Mendonça

Jurei mentiras
E sigo sozinho
Assumo os pecados
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Os ventos do norte
Não movem moinhos
E o que me resta
É só um gemido...

Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Uh! Uh! Uh! Uh!
Minh'alma cativa...

Rompi tratados
Traí os ritos
Quebrei a lança
Lancei no espaço
Um grito, um desabafo...

E o que me importa
É não estar vencido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu Sangue Latino
Minh'alma cativa...

quinta-feira, 18 de março de 2010

IÔ-IÔ HUMANO – 18/03/10

Quando penso que engatei
A engrenagem não funciona
Quando penso que desliguei
É quando o coração impulsiona

Seus sinais são confusos
Não consigo decifrá-los
Neste mundo inseguro
A certeza é de provocá-lo

Quando estou caindo
Vem você e me resgata
Mas me deixa sozinha
Me sentindo abandonada

E quando percebo
Lá esta você de novo
Com desejos latentes
Agora é você quem pede socorro

Neste iô-iô humano
Nossos corpos vêm e vão
Se esbarram, se pertencem
Em instantes, em fração

E assim aos poucos eu te tenho
Cada vez um cadinho mais
Eu inteira a ti pertenço
Nesses encontros sazonais


Débora Vasconcelos

terça-feira, 16 de março de 2010

EU VIVERIA POR VOCÊ! – 02/06/09

Eu viveria de novo por você
Mesmo sabendo de todos os riscos
Dos perigos a se enfrentar
Eu viveria todas as dores e angustias
Só pra de novo do seu lado estar

Eu viveria mais
Assim como eu já vivi outras vezes
Viveria em guerra, viveria na paz
Viveria sem poder te tocar

Mais eu viveria por você
Viveria sempre mais
Eu buscaria a superação
De sempre me aperfeiçoar

Eu viveria de novo
Só pra te encontrar
Mesmo sem te encontrar
Eu viveria a buscar

E eu amaria você
Mesmo sem poder te tocar

Viveria como o céu
Estando em qualquer lugar
Te buscaria entre mil olhos e olhares
Mesmo sem poder te olhar

Viveria seu mundo
Suas preferências
Pra quem sabe assim me aproximar

Eu viveria por você
Com a intenção
De sempre melhorar

Viveria sem escudos
Não estaria mais no escuro
Só pela chance de te reencontrar

Eu saberia se você
Estivesse do meu lado a passar
Meu coração sentiria
E eu viveria sem reclamar

É mais difícil escolher
Entre se viver do que morrer
Pois só eu
Viveria de novo por você

Na simples missão
De te mostrar
Que estou melhor
E de fazer você por mim melhorar

Pois eu saberia
Que a minha energia
Em qualquer lugar
Você também sentiria

Então me espere amor
De alguma forma eu vou voltar
Pois só eu viveria de novo por você
E só você saberia me vivenciar


Débora Vasconcelos

segunda-feira, 15 de março de 2010

MÚSICA: LIVRE PRA VIVER – Pedro Mariano

Compositor(es): Claudio Zoli / Bernardo Vilhena

Viver é bom demais

Ninguém vai me prender
Eu não me escravizei,
Nem me entreguei a você.

Sou livre para amar,
Louco pra viver esse amor.
Sou livre pra voar,
Não me importa o céu azul, ou blue.

Sou livre pra pensar,
Eu não devo nada a ninguém,
E a liberdade, é tudo que sonhei,
Eu vou viver, eu juro.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O INCOMPARÁVEL

O amor verdadeiro espera
Porque pra ele não existe tempo
Existe apenas amor
Na mesma intensidade e verdade que no início
Porque pra ele não há início e nem fim
Só existe amor
Então ele não se martiriza com o estado das coisas
Não existe nem gordo, nem magro, nem belo, nem feio, não existem preconceitos
Existe unicamente amor
O amor verdadeiro não exige troca de favores, não exige se aprisionar, não exige desculpas ou perdões
Exige apenas amar, transcendendo o tempo, as diferenças e as discussões
O amor verdadeiro é raro de se encontrar
Mas quando encontramos, sabemos que nada pode se comparar a algo tão inexplicável assim
O amor verdadeiro não faz necessárias explicações

Pois é incomparável

Débora Vasconcelos

sexta-feira, 5 de março de 2010

REFLEXIVOS QUE NÃO SE REFLETEM – 04/03/10


Os vejo andando em direções contrárias
Quando gostariam de estar pisando sobre o mesmo solo
Os vejo falando baixinho
Quando gostariam de estar se ouvindo
Os vejo lutando contra o destino
Quando poderiam estar amando
São reflexivos que não se refletem
Por mania de pensar
Não fazem o que os corações mandam
Por puro medo de amar
Duas estrelas perdidas
Que não sabem se encontrar
Que já se pertenceram um dia
E que se afastaram com o tempo
Agora já não sabem mais com que armas devem lutar
Reflexivos que não se refletem
Perdem tempo de se tocarem
Amor perfeito é apenas uma flor e que nem em todos os dias floresce
Ficam com receio de enfrentar
A superfície que está por vir
Quando os dois enfim resolverem submergir
E tiverem coragem de olhar tudo que está por vir
E que inevitavelmente vão lhes abalar
Afinal ainda estão vivos
E a vida é feita pra nos impulsionar
Reflexivos que carregam medo daquilo que mais os fizeram felizes
Refletem-se no vazio de corações distantes
Aproveitam apenas a lacuna que existe pra imaginarem o que o outro pensa
Enquanto poderiam estar preenchidos de realidade
Se refletindo no espelho dos olhos, um do outro


Débora Vasconcelos

MESA- 26/02/10

Se tiver alguma coisa certa em minha mesa
Pode ter certeza que terá alguma coisa errada comigo
É na bagunça que eu produzo
É na desordem que eu crio

Débora Vasconcelos

O QUE ERA, AFINAL? – 04/03/10

Foi um erro
O que achei fosse amor
Foi um erro
Querer construir um futuro
Quando você tinha urgência de presente
Foi um erro
Espelhar em você minha certeza
Se as dúvidas vinham de você a todo o momento
Foi um erro
Tentar ser maior que o muro
Se pra isso era preciso estar em cima dele
Foi um erro
Te entregar tudo que eu tinha de bom
Se agora só restaram as coisas ruins pra mim
Foi um erro
Esperar até o último ou primeiro suspiro
Para enxergar o que estava explicito
Foi um erro
Achar que um dia você sentiria o mesmo que eu
Foi um erro
Acreditar que você seria capaz de fazer com que as coisas mudassem
Foi um erro
Pois o erro nos deixa tristes
Mesmo sendo tão diferentes, eu consegui confundir
Foi um erro
O que acreditei fosse amor
Mas foi apenas um erro


Débora Vasconcelos

terça-feira, 2 de março de 2010

FENÔMENO – 26/02/10

Há tempos eu lhe cobrava um fenômeno
Não vinham flores, nem vinho
Não vinha chocolate; só o vazio
De um espera sem fim
Passado anos eu decidi
Parei de te cobrar
Te trai


Débora Vasconcelos

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DE GRAÇA – 26/02/10

- O sanduíche que eles estavam comendo, nunca iriam me dar, mas a droga era de graça.

Ela ainda acha que tem volta, mas não sai.
Eu espero que ela se recupere, já morreu de mais.
Queria poder resgatá-la deste mundo, que está tão próximo da minha casa, mas que eu consigo desviar.
Vejo fagulhas de sonhos em seus olhos; que desejo não se apaguem.
- Porque você se agride tanto?
O amor assim não existe .
Também um dia pensei haver.
Mas o amor não habita mundos tristes.
O amor nasce dentro de você.
E ela não admite, que só pensa em morrer.
E durante a noite resiste.
Perambulando sem saber, o que irá encontrar depois de tudo perder.
Apenas drogas de graça e de brinde um coração partido


Débora Vasconcelos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

MÚSICA: LUXÚRIA - Isabella Taviani

*Essa semana estou participando da Oficina Literária de Marcelino Freire sobre contos eróticos. Nada melhor do que ser embalada por Luxúria.

MÚSICA: LUXÚRIA - Isabella Taviani
Compositor(es): Isabella Taviani

Dobro os joelhos

Quando você me pega, me amassa, me quebra,
Me usa demais
Perco as rédeas
Quando você demora, devora, implora sempre por mais
Eu sou navalha cortando na carne
Eu sou a boca que a língua invade
Sou o desejo maldito e bendito, profano e covarde
Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto, me dobro,
Nem lhe cobro rapaz
Ordene e não peça
Muito me interessa a sua potência, seu calibre e seu gás
Sou o encaixe, o lacre violado
E tantas pernas por todos os lados
Eu sou o preço cobrado e bem pago
Eu sou um pecado capital
Eu quero é derrapar nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber o que dele escorre pela pele
E nunca mais esfriar minha febre

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

CAMINHOS CONTRÁRIOS - 11/02/10

Durante um ano eu fiz de tudo pra não encontrar com ele.
E isso foi muito bom pra mim, pois conheci outras pessoas, outras músicas, outras formas de viver e pensar, só de passar em lugares diferentes ao que estávamos acostumados a passar.
Saí da rotina, sai da preguiça, parei de me acostumar.
Neste um ano evolui, aperfeiçoei meu paladar, voltei a comer no japonês, até de caiaque me meti a andar.
Um ano de liberdade, de simplicidade e de sorrisos sinceros.
Mas num desses dias não teve jeito, mas uma vez em caminhos contrários nos esbarramos, nos entreolhamos e pronto...Éramos dois estranhos pedindo desculpas. Coisa que não fazíamos quando tínhamos toda intimidade.
Sei que a partir de hoje não irei mais esbarrar nele, pois irei para um lugar distante e não terei mais que inventar caminhos pra não correr o risco de encontrá-lo.
Sempre estaremos em caminhos contrários, mas acho que era isso mesmo que faltava pra eu ir em paz. Nós dois mesmo que involuntariamente, mesmo que por educação ou costume após um esbarrão...Pedirmos desculpas!

Débora Vasconcelos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR E SAUDADE É COISA PRA SE MOSTRAR – 04/02/10

*Tem coisas nessa vida que não tem preço mesmo...como conquistar um amigo; e saber que mesmo distante, muito distante ele ainda continua sendo seu.
Recebi um recadinho do Sérginho (esse meu grande amigo da foto) em que ele dizia que não sabia como me descrever e que também não sabia desenhar, mais se soubesse me desenharia como uma casinha de sapê. Eu AMEI essa comparação! Isso pra mim não tem dinheiro no mundo que compre. E é tão bom saber que mesmo nós estando tão longe um do outro ainda estamos em sintonia...kkk (Eu Pedrita, ele Bambam)
Esse post é pra você, Sé!


MÚSICA: CASINHA DE SAPÊ (Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda) – Tim Maia

Compositor(es): Hyldon

Não estou disposto a esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim

Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê



MÚSICA: CASA NO CAMPO – Elis Regina

Compositor(es): Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais!
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos meus livros e nada mais!
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

PERDIDA - 30/06/09

Preciso de um mapa
Urgente!
Algo que me guie
Que me mostre a direção
Um radar
Uma oração
Um grito
Um apito
Uma emoção
Algo pra me localizar
Estou perdida!
Não sei se é na mata ou no mar
Estou perdida aqui dentro
Pelo amor de Deus alguém precisa me encontrar
Um GPS
Um globo terrestre
Algo que possa me salvar dessa agonia
De olhar para os lados e nada enxergar
Não sei se estou cega
Me arranjem um óculos
Uma saída
Uma luz pra eu me guiar
Me ajuda!
Estou perdida
Um sinal
Uma placa
Um telefone
Um rádio
Uma estrela
Ou um luar
Algo em que eu possa confiar
Confiança!
Tão difícil de se encontrar
Deve também estar perdida
Ou presa em algum lugar
Socorro!
Estou perdida
Dando voltas no mesmo lugar
Não estou conseguindo visualizar
Qual a minha alternativa
Pra poder me encontrar
Estou perdida
Estou sozinha
Já não consigo mais gritar


Débora Vasconcelos

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ELIS REGINA

Um dia me perguntaram, se eu pudesse voltar no tempo, em que momento eu voltaria?...Por incrível que pareça eu não voltaria no dia mais feliz da minha vida, pois esse eu tenho bem nítido e real em minha memória, se eu pudesse voltar no tempo, voltaria ao dia do show Falso Brilhante da Elis Regina de mais ou menos 1975 em que eu nem era nascida, apenas pra assistir esse show! Nunca vou me esquecer de um ex-gerente que descobriu que eu gostava de Elis e ficou impressionado, pois naquela época eu era muito jovem para gostar de Elis Regina, e ele me contou que assistiu a esse show e que a imagem de Elis entrando no palco com um manto todo bordado de falsos brilhantes ele nunca mais ia esquecer. A partir daí fez-se dele minha memória, então se eu pudesse voltar no tempo, seria para assistir a esse show. Acho a interpretação das músicas cantadas por ela sensacional.
Abaixo uma música que acho fantástica na interpretação dela.

Débora Vasconcelos

MÚSICA: SE EU QUISER FALAR COM DEUS – Elis Regina

Compositor(es): Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

VOCÊ NÃO ME DEIXA ACABAR – 08/02/10

Da tua estrofe nasce minha poesia
Da tua batida minha melodia
Da tua vida meu desabrochar
Dos teus olhos saem a luz
Que existe pra me iluminar

Você é a continuação ou a antecipação
Do que eu sou agora
Você não me deixa acabar

Dos teus pés saem meus passos
Dos teus lábios minhas palavras
Da sua mente o que eu ainda ia pensar

Você é a água corrente da minha fonte
A inspiração do meu respirar
Você não me deixa acabar

Você é o meu sangue com outro gene
Pertence a mim seu DNA
Você prolonga minha existência
Você já existia antes de eu chegar

Débora Vasconcelos

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FONTE DE PALAVRAS - 09/02/10


Onde é a fonte das palavras?
Quero beber dela
E por mais que eu beba, não me verei saciada
Pois me abasteço na procura dela

Soltando minhas próprias palavras pelo caminho
Prendendo-as em papel de pão
Invadindo outros destinos
Vão saindo sem obrigação

Palavras que nem sempre são belas
Com significados às vezes distantes
Palavras que se tornaram eternas
Na eternidade que existe daqui em diante

Palavras que a mim pertencem
Serão de quem mais as quiser
Se as levarem na mente
Depois que eu as dispuser

Palavras tão enigmáticas
Tanto quanto o meu olhar
Interpretem-nas de suas maneiras
Nem mesma eu as sei interpretar

Deixo um rastro de dúvida
Deixo um pouco de certeza
Deixo a palavra mais pura
Que vier na minha cabeça

Palavras que adentram meus poros
Sem nem se quer eu beber de sua fonte
Eu de vez em quando as imploro
Pra que algumas palavras me molhe aos montes

Não basta beber as palavras
Quero banhar-me delas
Quero comê-las e me lambuzar
Quero viver da escrita delas

Palavras, um descobrimento constante
A cada nova palavra velha
Que eu descubro com a gana de um amante
Entrando dentro do corpo dela

A palavra é meu instrumento de transcender o tempo
Com ela sou quem eu quiser
Não existindo preconceitos
Então venha o que vier

A palavra é meu diamante
Meu tesouro, meu enredo
Minha liberdade, meu semblante
Dela nunca terei medo


Débora Vasconcelos

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

MEIAS VERDADES E MEIAS MENTIRAS – 29/01/10

Agora entendo o que são meias verdades
É quando você diz a verdade, mas não diz tudo
É quando você conta algo e esconde algo ao mesmo tempo
É quando você abre o jogo, mas não diz o que vai machucar
Durante muito tempo você me cercou com suas meias verdades
Durante muito tempo eu participei desse jogo, inventando meias mentiras
Como uma espécie de vingança por saber que algo você me escondia, eu te contava...mas justamente o contrário...somente meias mentiras
Enquanto você não queria me machucar
Era exatamente isso que eu pretendia
Toda vez que você vinha com meias verdades eu rebatia com meias mentiras
Se você inventava uma desculpa por chegar tarde
Eu falava que não me importava porque tinha saído com as amigas
Mal você sabia que era na casa da vizinha que eu ia
Mal eu imaginava que você me provocava, pra ver se ciúmes eu sentia
Enquanto vinha você com meias verdades
Eu te contava sempre meias mentiras
E assim nós dois nos enganávamos sempre com a metade de tudo que podíamos
E o que vivemos não foi assim...
Nem totalmente verdade
Nem totalmente mentira
Apenas metade
Que a imaturidade nos permitia


Débora Vasconcelos

O FEITIÇO DOS SEUS OLHOS – 12/01/2010


Estamos com medo de nos apaixonar
Posso ver isso nos seus olhos e nos meus
Seus olhos procuram o meu olhar
E o meu olhar se esconde dos seus

Estamos com medo de nos querermos mais
De não sabermos controlar o que nos satisfaz
De nos pertencermos enfim
Até o fim e além do mais

Estamos com medo de nos apaixonar
E ver acabar todo esse tesão
Você não pode me cobrar
O que eu não te cobro até então

Fidelidade já é de mais
Pra quem não quer se apaixonar
Estamos com medo de enfrentar
Toda essa situação

Estamos com medo e com desejo
Estamos sentindo a mesma vibração
Estamos com medo de nos entregar
A esse novo coração

Eu não quero que você se apaixone por mim
Assim como não quero me apaixonar
Quero apenas as suas mãos
Nas minhas costas a me abraçar

Quero sentir seu corpo quente
Todo suado a me acariciar
Sua pele entre meus dentes
Não precisamos nos apaixonar

Por isso eu fujo do seu olhar
Pra que o feitiço não tenha efeito
Eu me contento com os seus beijos
Sem possuir o seu olhar

Não precisamos nos apaixonar
Não há motivo ou razão
Isso só faria tudo acabar
Numa imensa discussão

Então vamos deixar pra trás
Essa história de paixão
De você eu quero é mais
Um mundo feito de tesão

Débora Vasconcelos

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PONTO FINAL – 04/02/10


Estou vivendo um momento de transição. Me sinto na obrigação de corrigir meus textos, pois antes escrevia só pra mim.
Hoje tento melhorar e isso é ótimo, talvez nunca me aperfeiçoaria se não houvessem leitores.
Mas confesso que é difícil corrigir, cortar um pedaço, reescrever uma parte, rasgar a folha e começar de novo.
Antes era só desabafo, agora são textos admirados, mesmo que ainda por poucos, eu devo lhes esse respeito.
Devo escrever direito, estudar a nova gramática, melhorar em todos aspectos: de concordância, de aplicação de vírgulas, de tantas outras coisas...ainda tenho muito que aprender sobre escrita. Isso é trabalhoso, porque controlar o ímpeto não é fácil, às vezes me pego corrigindo (principalmente quando estou digitando no Word e aparece alguma palavra errada grifada em vermelho) e a inspiração some, ainda estou aprendendo a lidar com isso.
Mas de todas as dificuldades, a que me rasga a alma é colocar o ponto final. Talvez seja por isso que eu prefira as poesias e não os textos como esse abaixo.
É uma grande agonia ter que colocar o ponto final. Sei que é uma regra gramatical, mas eu a odeio. É um corte seco, mesmo que na outra linha eu possa recomeçar.
Me dói!
Ponto final, final, final, final, não consigo me adaptar com esse final.
Quero escrever sempre, até velhinha, em outras vidas quem sabe...não quero que acabe, odeio esse final, ele trás uma sensação de perda, de despedida, de desperdiço, de desespero, de sumiço.
Sei que ele dá sentido a frase, mais me reservo no direito de odiá-la. Sei que extrapolo nas reticências, não só por aparência, mais também por não querer usá-lo.
Então me perdoem se eu errar. Se não souber direito como usá-lo, pois é um convívio quase que obrigado, usar esse tal de ponto final.
Mas vou tentar não decepcioná-los, no meio dos textos vou usá-lo, mas vamos deixar combinado que lá na última frase eu não vou colocá-lo (digamos que é esse meu estilo de escrever), mesmo que a estória não continue, mais apenas para acalmar o meu coração, já que não quero que minha escrita tenha fim, não irei colocá-lo. Assim ficaremos todos com gostinho de quero mais

Débora Vasconcelos

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ATRÁS DA ESTANTE – 29/01/10

Hoje na mudança, achei um resto de você.
Um pedaço de papel, um bilhetinho com sua letra, dizendo que ia chegar mais tarde e mandando beijos.
Não sei como aquilo foi parar ali, atrás do rack, aliás, atrás da parte fixa que fica parafusada na parede, e quando vi o moço da mudança retirá-la, ele caiu.
Mal pude acreditar no que tinha em minhas mãos...depois de tantos anos encontrar um pedacinho de você ali e saber que convivi com ele tanto tempo sem saber dentro da minha casa, enquanto outros entravam e saiam, você estava ali atrás da estante esquecido mandando beijos.
Será que junto do bilhete, também ficou guardado a mágoa e o resto de amor? Se é que existe um pouco de amor, amor médio e grande. Qual será a medida usada para se medir o amor? Será que ele passa, ou fica apenas guardado, mas existindo ali escondido de nós mesmos, dentro do coração ou atrás da estante?
Só sei que quando vi aquilo, pedi logo para que eles levassem esse último móvel, para que eu me despedisse da minha casa.
Sentei no chão, encostei-me na parede e foi tão vazio ver tudo vazio, deu um aperto no coração, estar apenas eu, a casa e o seu papel em minhas mãos.
Lembrei-me do dia em que achava ter te devolvido tudo que era teu e que estava ali.
Lembrei-me do dia em que você voltou de sua viagem pra ficar. Lembrei-me também de mim indo e voltando com as malas e mochilas nas mãos.
Lembrei-me de tantas idas e voltas.
De tantas dores e revoltas.
De tantos reencontros e reconciliações.
Parecia que estava morrendo aquela casa e um pouco de mim também estava morrendo e a vida da casa se passava diante de meus olhos, em fleches, flertes, feixes e pedaços.
Com o papel na mão quase pude sentir seu cheiro, não fosse o cheiro de mofo, se não fosse o pó, mas na minha memória, nada disso me impedia de senti-lo perfeitamente.
E quando fechei os olhos você estava ali tão real quanto o papel, me enconchando na cozinha, me beijando na sala, discutindo no quarto, fazendo as malas. Me fazendo chorar e sorrir.
Aquela vida conturbada voltara por alguns segundos. Mas foi só os olhos abrir pra me dar conta de que nossas vidas estavam agora totalmente diferentes. Mas na verdade sempre foram diferentes e como escrito no recado você sempre chegava tarde de mais pra participar de mim, só vinha pra me tomar e pra discutir. E a pesar de morar comigo durante anos, você sempre se manteve ali...exatamente ali...mandando beijos atrás da estante.

Débora Vasconcelos